[PRÉ-VENDA] Família e comportamento suicida: o percurso do cuidado

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Título: Família e comportamento suicida: o percurso do cuidado
Organizadoras: Mariana Filippini Cacciacarro; Claudia Bruscagin e Gabriella Costa Pessoa
Editora: Lucto
Ano de Publicação: 2026
ISBN: 978-65-82852-08-4
Edição: 1
Número de Páginas: 172
Formato: Físico 
Dimensões: 14×21 cm 
Idioma: Português

Sinopse:

[…] O livro não oferece às famílias a promessa impossível de que, seguindo determinados passos, conseguirão controlar o futuro. Sua contribuição é mais honesta e, por isso, mais valiosa: ele acompanha os familiares na travessia daquilo que não pode ser inteiramente previsto ou controlado. Em vez de uma sequência rígida de estágios, apresenta metáforas interligadas, às quais uma família pode retornar muitas vezes ao longo de sua trajetória. Cada uma dessas metáforas, que emergiram do brilhante trabalho de doutorado da Dra. Mariana Cacciacarro, nomeia uma dimensão da experiência familiar e oferece uma linguagem para aquilo que, tantas vezes, permanece indizível.
A esperança apresentada aqui não é ingênua. Ela não nega a gravidade do comportamento suicida. É uma esperança que aprendeu a conviver com a incerteza. Uma esperança que não depende da fantasia de controle absoluto, mas da construção cotidiana de recursos, relações e possibilidades. Nesse sentido, o livro não ensina apenas como ajudar alguém que deseja morrer. Ele ajuda familiares a recordar como continuar vivendo.
Essa talvez seja uma de suas contribuições mais importantes. A prevenção do suicídio costuma concentrar-se, compreensivelmente, na sobrevivência da pessoa em risco. Mas sobreviver não é o único desfecho que importa. Também queremos que pessoas e famílias reconstruam vidas que possam ser habitadas com dignidade, conexão e significado. Queremos que o cuidado não produza apenas vigilância, mas também autonomia; não apenas restrição, mas também segurança relacional e confiança; não apenas ausência de morte, mas presença de vida.
A parte do livro dedicada às histórias e aos silêncios amplia ainda mais essa perspectiva ao reconhecer que os profissionais e facilitadores também são transformados pelo encontro com as famílias. Não existe posição totalmente neutra quando escutamos repetidamente experiências de medo, amor, perda e esperança. A competência técnica permanece indispensável, mas precisa conviver com humildade. O profissional não é proprietário exclusivo do conhecimento; é alguém que formula, orienta e intervém, mas que também precisa escutar aquilo que as famílias sabem sobre suas próprias vidas.
Como profissional de um serviço de emergência, me senti especialmente tocado pela carta aberta aos profissionais de saúde que encerra esse percurso. A transição do hospital para casa é um momento crítico. Para a equipe, pode parecer o encerramento de uma avaliação e a definição de um plano. Para a família, é frequentemente o início de uma noite longa: a responsabilidade concreta de receber novamente em casa alguém que esteve em risco, por vezes sem compreender plenamente o que observar, como conversar, quando se preocupar ou onde procurar ajuda.
A família não deve ser tratada como mera acompanhante, nem automaticamente excluída em nome de uma compreensão rígida do sigilo. Respeitar a confidencialidade não impede que escutemos informações oferecidas pelos familiares, que forneçamos orientações gerais de segurança ou que perguntemos como eles estão enfrentando a situação. Incluir a família também significa reconhecer seu sofrimento, negociar cuidadosamente quais informações podem ser compartilhadas e construir, sempre que possível e apropriado, uma parceria com a pessoa em atendimento. O livro pede aos profissionais algo aparentemente simples, mas profundamente transformador: que enxerguem a família, conversem com ela e não a abandonem justamente no momento em que mais precisa de direção.
Famílias e Comportamento Suicida: o percurso do cuidado é, portanto, uma obra para familiares, mas não apenas para eles. É também um livro para psicólogos, psiquiatras, médicos, enfermeiros, assistentes sociais, terapeutas familiares, educadores e todos aqueles que acompanham pessoas em sofrimento suicida. Ele nos recorda que orientar não basta quando não há acolhimento; que acolher não basta quando faltam recursos concretos; e que oferecer recursos não basta quando atribuímos à família uma responsabilidade que nenhum ser humano poderia sustentar sozinho.
É uma obra construída a partir de vozes que, por muito tempo, permaneceram à margem. Vozes de pessoas que tiveram medo, se sentiram culpadas, ficaram exaustas, cometeram erros, aprenderam, encontraram outras pessoas e continuaram caminhando. Ao unir conhecimento técnico, experiência clínica, perspectiva sistêmica e narrativas vividas, as autoras oferecem não um mapa exato de uma estrada previsível, mas companhia para uma travessia que muda continuamente.
Talvez seja isto que um livro possa fazer de mais valioso diante de um sofrimento tão complexo: não prometer respostas definitivas, mas oferecer linguagem quando faltam palavras; recursos quando reina a desorientação; pertencimento quando predomina o isolamento; e esperança quando o futuro parece ter desaparecido. […]

Do prefácio,  Tiago C. Zortea
DClinPsych (Oxon), PhD, CPsychol. Departamento de Emergência Psiquiátrica, Hospital John Radcliffe da Universidade de Oxford, Inglaterra. Agosto de 2026.

 

[…] Lembro do dia em que a Mari (Mariana Filippini Cacciacarro) veio conversar comigo sobre o que a inquietava no doutorado. Ela tinha percebido, estudando suicidologia, que quase nada era pensado para as famílias. As intervenções, os cursos e as campanhas olhavam para a pessoa em crise ou para quem já tinha perdido alguém, enquanto quem estava em volta ficava de fora, sozinho com o medo e a culpa, e não raro ainda ouvia, de forma mais ou menos explícita, que era parte do problema.[…]

[…] Uma das coisas que este livro mostra, por caminhos diferentes, é que o sofrimento suicida não precisa ser enfrentado sozinho. Não porque outra pessoa possa resolver aquilo por você, mas porque ter com quem dividir o que está acontecendo pode ampliar as possibilidades justamente quando elas parecem ter diminuído.[…]

Karen Scavacini

 

 

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